O desencanto com o liberalismo

Quando vemos a grande bagunça que se tornou a política atual, quando percebemos que nossos governantes estão lá não para cuidar bem do país mas para defender interesses privados e muitas vezes escusos de quem financiou sua campanha, acabamos por procurar novas ideias e foi então que conheci o liberalismo ou anarcocapitalismo.

Nossa, que legal, realmente o estado é um pedra no sapato, só atrapalha o desenvolvimento e a livre escolha dos cidadãos como por exemplo proibindo imoralmente o uso do Urber. Pra que tantas leis estúpidas, tantos impostos abusivos e nos deixe decidir se queremos usar drogas ou não.

Mas depois de um tempo comecei a refletir que o liberalismo da maneira como está sendo defendido é um cavalo de Troia. Porque

1 Na verdade a anarquia não é tão anárquica assim. Toda empresa ou iniciativa privada é uma hierarquia rígida da qual os funcionários não tem nenhum poder de decisão.

Eu diria até que toda empresa é uma ditadura ou reinado, no caso de um único dono, ou oligarquia quando tem vários acionistas.

Aqui se vê onde a hipocrisia começa. Quantas empresas dizem defender a democracia, mas quantas delas você pode se candidatar à presidência dessa empresa. Democracia pros outros, mas aqui em minha empresa não.

Então no fim, se não existisse estado seríamos governados por várias mega empresas das quais pouco poderíamos opinar.

2 A ilusão da autorregulamentação do mercado. Os liberais dizem que a oferta e demanda junto com a eficiência ou deficiência das empresas criariam um mundo quase perfeito. E que basta o consumidor parar de consumir de algumas empresas como punição, e tudo ficaria bem.

Ledo engano, uma empresa está preocupada com lucros e não em servir bem o consumidor, se serve bem é apenas visando o lucro. Não há nada de errado em desejar o lucro, mas dizer que apenas isso vai evitar práticas abusivas é um grande engodo.

Quantas empresas não estão destruindo o meio ambiente, colocando seus trabalhadores em risco de vida, quantas não estão nos envenenando, fazendo bio terrorismo com sementes modificadas geneticamente, e quantas não estão fazendo coluios com governos corruptos.

Se fazem tudo isso, tendo leis que as limitam, imagine como seria o mundo sem nenhum tipo de leis onde estas empresa fossem o poder dominante.

3 A concorrência resolver tudo. A verdade é que a concorrência não persiste pra sempre, pois cada vez as empresas vão se tornando mais poderosas enquanto outras vão falindo. Então o que ocorre é que as maiores vai comprando as menores até se tornarem grandes monopólios.

Vejamos um exemplo, o Facebook começou como rede social cresceu bastante, aí comprou o Instagram, uma ótima rede para compartilhar fotos, e por último comprou o WhatsApp uma excelente rede de comunicação.

Ou seja, o Facebook monopolizou as interações sociais, o compartilhamento de fotos e a comunicação das pessoas. Uma única empresa sabe agora tudo sobre você e esses dados podem ser usados como bem entender inclusive vendê-los pra quem quiser. 

As pessoas podem argumentar que "usa quem quer", mas não é bem assim, como seres humanos temos diversas interações sociais e precisamos usar as ferramentas onde as pessoas que queremos interagir estão.

Minha família está no Facebook, se eu saísse de lá ia ser bem mais difícil de saber as novidades deles. A ferramenta mais barata de comunicação onde meus contatos estão é o WhatsApp, assim estou usando realmente por necessidade. E como artista, o Instagram é otimo pra me promover. Deu pra entender que nem sempre é uma mera questão de escolha?

Agora image um mundo sem limitações sem leis anti monopólios, sem nenhum estado pra interferir de nenhuma maneira com certeza as empresas iam se unindo, se fundindo até que tudo se tornasse num grande monopólio sem nenhuma concorrência real, num cenário assim os trabalhadores teriam que se sujeitar a qualquer salário e situação, o consumidor teria que pagar caro e a qualidade de tudo diminuiria, posso até afirmar que as pessoas não teriam mais nenhuma liberdade, seriam propriedade de alguém.

4 Fim da privacidade. As pessoas dizem que isso não importa, mas sim privacidade é muito importante. Como eu disse algumas empresas sabem tudo sobre nós, se esses dados são vendidos por exemplo a uma empresa de seguros, e eles sabem seu histórico médico ou doença que você queira esconder, simplesmente seu seguro será negado ou cobrarão mais caro.

Você pode ser demitido por suas posições ideológicas e poderá ter seu pedido de empréstimo negado. Lembre-se não há mais estado ou ninguém pra te ajudar, você só poderá contar com uma outra empresa de advogados pra te defender, mas enquanto você tem uma renda limitada, eles teriam bilhões e os melhores advogados do mundo. Você venceria?

5 Secessão e destruição das fronteiras. Um mundo único e globalizado é o sonho máximo do liberalismo onde as empresas e pessoas poderiam ir e vir pra onde desejassem, claro que isso nunca se aplica a propriedade privada dessas companhias.

Já vi vários artigos falando de autodeterminação dos povos principalmente aqui no Brasil, na verdade eles querem que cada estado brasileiro seja independente. Ora aqui há duas incoerências:

A primeira eles querem dividir o país, mas com certeza não desejam que seus novos países sejam divididos. Se fôssemos seguir essa linha de secessão iríamos regredir até as cidades estados.

A segunda é que quanto mais novos estados mais burocracia, ou seja posso viajar livremente sem precisar de passaporte da Bahia ao Amazonas, mas se os dois fossem dois países já não seria tão simples assim, no mínimo teria que ter um prazo de permanência de turistas etc.

Também haveria duas leis muitas vezes conflitantes, mais tarifas e por fim se uma empresa fosse atuar nesses dois países teria duas cargas tributárias, mais leis e mais burocracia.

E além disso países pequenos não tem poder de fogo em guerras e só existem até grandes potências resolverem assimilarem a estes. Como exemplo temos: a China que assimilou o Tibet. A Turquia que tomou parte do Chipre. Ou até mesmo o Brasil que tomou o Acre para si.

Como podemos ver, países pequenos são facilmente derrotados e podem ser assimilados por qualquer grande potência com os ventos de mudança.

6 Destruição de identidade e culturas. Pro liberalismo as fronteiras devem ser livres, parece que cultura não importa, educação, relações conflituosas. Mas muito antes do mundo colorido e pacífico que querem nos fazer acreditar, na verdade, quanto mais diversa é uma comunidade mais conflitos aparecem.

E simplesmente há culturas que são incompatíveis com os valores humanistas e ocidentais. A insegurança, criminalidade e terrorismo vem dessa crença errônea de que um mundo sem fronteiras é um paraíso quando sabemos muito bem que não é bem assim.

Nenhum povo sobrevive se deixar a migração em massa acontecer, basta vermos o exemplo do império romano com os bárbaros, e dos índios americanos com os europeus.

7 E por último a vida humana não deve ser pautada só por negócios ou o materialismo. Uma hierarquia positiva como as antigas monarquias em que o povo via seus reis como protetores do seu povo é o melhor caminho.

Uma nação é muito mais do que só algo material, mas é a essência do que nos permitiu sobreviver até aqui, nossos símbolos, nossa cultura, nossa consciência tribal é o que nos faz ser quem somos e não apenas produtos e consumo.

Claro que a política atual está abusiva, precisamos de mais liberdade, estado mínimo e nenhum imposto, mas não da maneira irresponsável e louca como os liberalistas desejam.

Há pontos positivos nas ideias libertárias que podem ser aproveitadas, mas da maneira como está sendo desejada atualmente, o liberalismo é apenas mais um instrumento dos globalistas que querem colocar a todos sobre sua vontade sem nenhuma resistência ou força que os impeça.

Ricardo Rangels

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